JOÃOZINHO DA GOMEIA: CULTURA, PERFORMANCE E DANÇA DOS ORIXÁS EM TERRITÓRIO CAXIENSE

Por Clara Crível.

João Alves de Torres Filho não é somente nome de rua no município de Duque de Caxias. Quem faz uma imersão na sua história, encanta-se. João, mais bem conhecido como Joãozinho da Goméia, grafado Joãosinho da Goméa no LP 'Rei do Candomblé’, tomou para si esta alcunha e ainda permeia no imaginário cultural da região sendo referência para a religiosidade afro e para a arte performática na dança dos orixás.

Nasceu em Inhambupe, município baiano, em 1914. Sua família era católica e chegou a ser coroinha na igreja. Porém, outras perspectivas religiosas o aguardavam. Precoce, deixou a casa dos pais aos dez anos para viver e trabalhar em Salvador, acomodando-se na casa de uma senhora que o amadrinhou. Após ficar doente aos catorze anos, foi levado por esta madrinha a um terreiro e acabou por se iniciar no candomblé de tradição Angola pelo pai de santo Jubiabá. Em outro momento refez seu santo com Mãe Menininha do Terreiro do Gantois. Posteriormente, estabeleceu-se na Rua da Goméia, no bairro de São Caetano, de onde extraiu seu nome.

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Chegou a Duque de Caxias em 1946, onde firmou seu terreiro. Joãozinho da Goméia esteve sempre à frente de seu tempo. De personalidade forte e ousada, derrubava barreiras de preconceito. Em 1956, foi tomado por no carnaval ter se fantasiado com trajes de vedete, sendo capa de jornais e revistas e questionado dentro de sua própria religião. Tornou-se então figura midiática estampando seu retrato nas publicações divulgando o candomblé. Sua influência era de tal magnitude que realizou encontros com personalidades importantes da política, da classe artística e do mundo das celebridades. Seu legado deixa a importância na difusão da religião e cultura afro no Rio de Janeiro. Dentre uma série de habilidades, também foi ator tendo participado do filme Copacabana Mon Amour, em 1970.

Faleceu em 1971, por complicações de uma operação para a retirada de um tumor. Seu sepultamento foi realizado no município de Duque de Caxias onde um imenso cortejo de admiradores reuniu 5 mil pessoas no Cemitério do Corte 8 que o seguiram envolto de mística ao cair um chuva  ventania de grandes proporções.

Em 2021, ano em que completam os cinquenta anos de seu falecimento, foi aprovado um projeto de lei que tombou o Terreiro da Gomeia. Hoje há um importante espaço cultural que o homenageia, o Galpão Goméia, localizado no Centro de Duque de Caxias. Há uma vasta produção documental sobre o rei do candomblé que se coloca a desvendar sua mística. Porém é preciso entender o homem, negro, homossexual e difundir seu legado cultural na cidade onde Goméia firmou-se.

PARA SABER MAIS

Artigo

LODY, Raul; SILVA, Vagner Gonçalves da. Joãozinho da Goméia: o lúdico e o sagrado na exaltação ao candomblé. In: Caminhos da alma : memória afro-brasileira. [S.l: s.n.], 2002.

Documentários

Joãosinho da Goméia - O rei do Candomblé

Direção: Janaína Oliveira Refém e Rodrigo Dutra

Projeto DOCUMENTA - 0003 - Gomeia

Entrevista realizada pelo professor José Beniste no Programa Cultural Afro-Brasileiro

Filme

Copacabana Mon Amour

Direção: Rogério Sganzerla

1970

Livros:

Gomeia João: a arte de tecer o invisível

Centro Portal Cultural, Rio de Janeiro

Autor: Carlos Nobre

LP

O Rei do Candomblé

Joãozinho da Goméia

1987

Peça Teatral

Joãozinho da Goméia - De filho do tempo a Rei do Candomblé

Autor e diretor: Átila Bezerra

Revista

Periferia - Revista de Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação da FEBF/UERJ

Dossiê temático: Joãozinho da Goméia: educação, candomblé e cultura afro-brasileira

Organização: Andrea Mendes e Nilson Bezerra

2021

Samba-enredo

Tata Londirá: o canto do caboclo no quilombo de Caxias

Acadêmicos do Grande Rio

2020

Fotos: Reprodução.

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